Nino Carvalho é jornalista, mestre em Administração (IBMEC) e pós-graduado em Marketing e Estratégia (CIM, Reino Unido). Atualmente é Gerente de Estratégia em Mídias Digitais da In Press Porter Novelli, especializado em planejamento estratégico de marketing digital, com experiência em organizações como Presidência da República, Senado Federal, Souza Cruz, British Council, Ibeu, Embratel, Sportv, entre outras. Coordenador da pós-graduação em Gestão Estratégica de Marketing Digital (Igec-Facha). Curador do #SouMaisWeb. Twitter @ninocarvalho
Nunca pensei em comprar um carro. Mesmo naquela fase de 17-19 anos, quando os amigos ganham carros dos pais, outros compram, alguns se endividam até a velhice pra impressionar as gatinhas... Nem nessa época fiquei tentado.
Sempre vi carro como um gasto desnecessário. Além da grana de comprar o veículo, tem o seguro, IPVA, manutenção, combustível, “10 real” do flanelinha... Enfim, carro pra mim é igual a dinheiro jogado fora (calma, entendo que quase todo brasileiro discorda de mim, sem problemas...).
No entanto, por causa de umas mudanças recentes na minha vida pessoal e profissional, vou precisar comprar um carro (“finalmente”, alguns amigos dizem). Pois bem, a primeira coisa que fiz (note que eu sequer sei as marcas existentes – é sério – totalmente off-carro!) foi procurar nos sites das montadoras mais informações sobre os modelos e valores.
O tipo de carro que mais me atraiu é o semicaminhonete (em alguns sites chamam de SUV, embora não faça ideia do que isso significa). Esses veículos não são particularmente baratos...
Naturalmente, por esses e outros fatores, achei que a melhor coisa que poderia fazer era pesquisar nos sites. Além de muitas imagens e vídeos, imaginei a vantagem de customizar o carro, brincar com os acessórios (tirando e colocando coisas opcionais), mudar cor e, acima de tudo, me parecia lógico pensar que o preço seria menor on-line e que eu teria um atendimento melhor.
Decepção total.
No podcast você vai ouvir um pouco de como foi a experiência em cada site. Acho que mandei pedido (sério, verdadeiro, com dados reais etc.) para todas as montadoras entrarem em contato para efetuar a negociação e, eventualmente, a venda. NENHUMA me respondeu no prazo de cinco dias úteis (não vou esperar mais, claro...).
Fiquei surpreso com o site fraco de algumas, os problemas de acessibilidade e o fato de que todas as montadoras acham que todo mundo conhece cada modelo a fundo! Tem site que sequer segmenta o veículo (esporte, pick-up, passeio), nem explica por que um modelo custa 50 mil e outro 52 mil (do mesmo carro, mesmo ano...)!
Por isso o título da coluna (Internet pra quê?). Poxa, por qual motivo a empresa gasta com internet, investe em infra, pessoal ou imagem e, na hora de VENDER, ganhar dinheiro, os caras desconsideram solenemente o e-consumidor. É melhor não oferecer esse serviço (customização do carro seguida de 'peça uma proposta ao revendedor'). Ao menos não irá levantar expectativas que, quando não cumpridas, acabam com a percepção da marca e a credibilidade/confiança dos esforços de comunicação da empresa...
Bem, aos amantes, dependentes e consumidores em geral de carros, acho que vale usar seus próximos cinco minutos ouvindo o podcast.
Sites analisados:
- Volkswagen
- Fiat
- Ford
- Renault
- Honda
- Toyota
- Chevrolet – No Safari deu bugs diversos e no FireFox sequer abriu a opção de montar o meu veículo!
- Chrysler
- Chana
- Kia – Minha escolha!
- Sobre a Kia (em matéria da revista Época)