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Colunas

18/9/2009
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HUMOR ACIMA DA MÍDIA

Crônicas sobre um mundo midiatizado em exagero. Não adianta fugir, fechar os olhos ou tapar os ouvidos. O mundo inventa novos meios de atingir você em cheio. Não há jeito, vivemos cercados por mensagens a torto e a direito. O que lhe resta, leitor? A alienação, o devaneio? Prefira a reflexão. E o humor! A coluna é escrita por Ricardo Benevides, mestre em literatura brasileira, consultor editorial e professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso e da Universidade Estácio de Sá. Twitter @rbene

As Oportunidades (em três atos)

 I.

Igreja lotada, os flashes dos fotógrafos pipocando e a emoção nos olhos das famílias. Tudo ia bem até o padre perguntar:

 – Alguém tem alguma coisa a dizer? Que fale agora ou se cale para sempre!

Um rapaz de terno levantou-se de supetão e disse:

– Eu tenho, padre!

Foi uma surpresa geral. Os noivos trocaram olhares, ele de desconfiança, ela como se dissesse: “eu não conheço esse maluco!”. O espanto foi maior ainda quando o sujeito falou:

– Os noivos vão passar a lua-de-mel no Resort Alfa-Santos, o único com atendimento classe A na Região dos Lagos! No Alfa-Santos seus momentos são inesquecíveis. E temos uma oferta especial para os convidados! Quem tiver interesse, é só falar comigo logo após a chuva de arroz, na saída de igreja. Agora, pode continuar, seu padre.


 II.

Manoel Pereira deixou seu pedido registrado em testamento, fez os irmãos jurarem de pé junto que satisfariam seu desejo, e assim foi feito. No dia do enterro, a lápide foi coberta com um pano. No momento em que o caixão descia, viúva chorando, amigos inconsoláveis, o pano foi retirado permitindo que todos conhecessem os últimos pensamentos do finado amigo:

“Parto agora para minha longa jornada. Mas, lembrem-se! O sonho não acabou! Padaria Flor Lisboeta – a melhor da Tijuca! Aberta todos os dias das 6 às 23 horas.”
 

III.
 
O circo estava armado lá embaixo, corpo de bombeiros, polícia, paramédicos, imprensa – televisão, rádio, jornais –, multidão, pipoqueiro, vizinhos fofoqueiros, enfim, uma plateia selecionada. Isso não quer dizer, porém, que fossem todos de um mesmo segmento. Tinha gente de diferentes faixas etárias, perfis de renda, níveis culturais. E no parapeito do 36º andar, o sujeito sabia disso. Aguentou o quanto pôde, desvencilhando-se dos braços dos oficiais e da conversa dos psicólogos, até ter certeza de que seu intento seria alcançado. Quando não era mais possível sustentar a situação, ele conferiu se a faixa estava bem presa e pulou arrastando a outra ponta lá pra baixo. Os bombeiros já haviam posicionado o colchão de ar. Quando o “suicida” teve a queda amortecida, após a gritaria geral, surgiu aquela enorme faixa de alto a baixo cobrindo a coluna central de janelas do prédio com os dizeres: OS PREÇOS CAÍRAM! MAGAZINE AMÉLIA, TUDO DE BOM!

 

Ricardo Benevides
http://twitter.com/rbene


COMENTÁRIOS( 2 )




 

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XXX

Clarissa       1/10/2009 00:16:39
As dicas estão anotadas...

Gabriela Sharp       18/9/2009 09:46:53
Hehehe...adorei a sacada! Sempre se superando, parabéns professor!

 
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