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Colunas

14/8/2009
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HUMOR ACIMA DA MÍDIA

Crônicas sobre um mundo midiatizado em exagero. Não adianta fugir, fechar os olhos ou tapar os ouvidos. O mundo inventa novos meios de atingir você em cheio. Não há jeito, vivemos cercados por mensagens a torto e a direito. O que lhe resta, leitor? A alienação, o devaneio? Prefira a reflexão. E o humor! A coluna é escrita por Ricardo Benevides, mestre em literatura brasileira, consultor editorial e professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso e da Universidade Estácio de Sá. Twitter @rbene

As profissões

Do jeito que vai o mundo (midiatizado em exagero!), é o caso de pensar nas profissões, funções, atividades que ainda hão de surgir. Tudo porque se as mensagens estão em toda parte e, cada vez mais, sempre se multiplicando, não restando muito a fazer em contrário, muita gente ainda vai perceber novos caminhos para ganhar dinheiro e, talvez, se comunicar. Ou fingir que dá certo.

Vamos a alguns palpites:

1) Organizador de Panfleteiros: será o profissional com sólidos conhecimentos de planejamento, habilidades em treinamento e alguma experiência para criar regulamentos, procedimentos etc. A principal atribuição dessa nova classe será colocar em fila os distribuidores de panfletos, filipetas, flyers (ou que nome tenham) nos grandes centros urbanos. Quando o público passar pelas calçadas dos centros comerciais das cidades, filas de distribuidores se alternarão para oferecer seus papeizinhos, pela direita e pela esquerda, com máxima excelência, evitando que os distribuidores ofereçam ao mesmo tempo dos dois lados. O equipamento necessário será composto, basicamente, por rádios e pontos eletrônicos nos ouvidos dos trabalhadores de rua.

2) Controlador de tráfego aéreo para aviões puxadores de faixas: cresce exponencialmente o número de pessoas que viajam de avião. Pois o futuro também trará a popularização do uso das aeronaves de pequeno porte para fins particulares. Nesse dia, cada proprietário poderá matar dois coelhos com um golpe só: ao deslocar-se, reduziria os custos dessa operação arrastando dizeres das mais variadas organizações e, claro, sendo remunerado por isso. Para evitar as colisões e, principalmente, que as faixas se enrolem no ar, os controladores do futuro aliarão alta capacidade técnica, para traçar planos de vôo seguros, ao conhecimento dos perfis de público nos diferentes roteiros pelas regiões geográficas das cidades. Os teóricos da época farão associações entre esse fenômeno e dos busdoors e dos taxidoors no passado.

3) Hackers Pro-Mídia: se, por um lado, é fácil produzir mensagens eletrônicas nos meios virtuais, por outro, cada vez mais, haverá a possibilidade de as pessoas não lerem, deletarem antes de abrir (no caso dos spams), desviarem o olhar (no caso dos banners), bloquearem os pop-ups. Surgirão, então, esses especialistas em desenvolver vírus de computador que travarão todas as operações, reduzindo softwares e hardwares a nada, máquinas congeladas com dizeres imperativos – a reutilização só será possível após seguir rigorosas instruções, algo semelhante à negociação para libertar um “filho sequestrado”. Ou você lê a mensagem ou dá adeus ao seu HD.

4) Disseminadores de mensagens em arenas esportivas: se hoje as torcidas organizadas demonstram toda a capacidade de dizer, harmoniosa e coletivamente, que a mãe do juiz não é alguém de boa índole, o que elas não farão no futuro? Sim, será possível fechar contratos com essas agremiações de torcedores e fazê-las gritar (nos intervalos das partidas) slogans inteiros! “Lave com Cromo”, “Eu bebo Squait”, tum-tum-tum. Para isso, os futuros profissionais da área terão de desenvolver habilidades de regente de coral, talento para criar melodias fáceis de cantar e potência vocal para “enquadrar”, quando necessário, os membros que não cumprirem o contrato lá no alto da arquibancada.

5) Traficantes de mensagens subliminares: entre as futuras profissões, será das mais perigosas e, ao mesmo tempo, das mais valorizadas. Todo mundo que trabalha com mídia sabe da importância de chegar à mente do consumidor, atingindo seus pontos fracos. Se hoje é ilegal, no futuro dá para imaginar a ação silenciosa de profissionais que “plantarão” discursos nos mais diferentes lugares. Uns gravarão mensagens quase inaudíveis para reproduzir frases de incentivo ao consumo no encosto de cabeça dos ônibus para os passageiros que dormem na viagem. Outros misturarão logomarcas nos grafites que vão se espalhando pela cidade. Outros ainda ficarão responsáveis por esconder os dizeres e símbolos de corporações nos tecidos usados pelas confecções. Tudo feito de maneira imperceptível aos olhos, não à mente. Você não se dará conta mas, ao elogiar a blusa de uma amiga, subitamente surgirá uma vontade louca de comer certo chocolate.

Entre tantas atividades novas, dá pra apostar que certas profissões continuarão existindo, sem muitas mudanças com relação a seus perfis atuais. Ou você acha possível um mundo sem políticos e advogados?

Já pode desfazer o sorriso, leitor. É improvável. Mas saiba: sempre haverá o praticante da futurologia. E, oxalá, o cronista!

 

Ricardo Benevides
http://twitter.com/rbene


COMENTÁRIOS( 1 )




 

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Gabriela Sharp       14/8/2009 11:42:47
Hehehe...adorei!!!

 
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