Sérgio Gramático é profissional de cerimonialismo. Planeja e coordena cerimoniais em solenidades e eventos e orienta posturas e procedimentos pessoais em público. É professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso no Rio de Janeiro.
“Aconteceu na Embrapa”, deu na imprensa. Porém, poderia ser em sua empresa. O motivo fazia parte do calendário comemorativo do Dia Internacional da Mulher, e o convidado de honra era o ministro da Agricultura da Indonésia, Anaton Apriyantono, que segue os rígidos códigos das práticas religiosas do Corão. A intenção servia a uma causa nobre: aproximar duas culturas e facilitar entendimentos visando a futuras parcerias na área da pesquisa científica entre o Brasil e aquele país asiático.
Para recebê-lo, foi montado um time de primeira linha dos melhores pesquisadores, entre eles, naturalmente, a inteligência feminina brasileira. Chegou-se a pensar que as mulheres deveriam trajar xales, a exemplo do chador. Aí veio a decepção desconcertante: o ministro indonésio não aceitava ser cumprimentado por mulheres. Uma restrição cultural de sua religião: o islamimismo. Nela, mulheres não são tocadas por homens.
Aí vai um aviso muito importante aos assessores de comunicação empresarial. O fenômeno da globalização trouxe consigo ambientes culturais, antes distantes, de características próprias e rígidas, sobretudo as orientais, mas que se encontram a nossa porta. O mundo vive os desafios das oportunidades de negócios. São aproximações relacionais, convênios, parcerias, contratos na área de comércio exterior. Esse processo veloz de interatividade cultural não pode sofrer percalços com atitudes inconvenientes e condutas inoportunas praticadas por executivos desinformados. Muitas vezes, essas relações envolvem milhares de centenas de dólares, saudáveis à economia das empresas. E tudo pode ir pelo ralo num piscar de olhos.
Sérgio Gramático
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Gabriela Sharp 25/7/2009 22:26:55
Certíssimo professor! Muito bem colocado.
Gabi