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9/2/2009
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COMUNICAÇÃO E CIBERCULTURA

Marcello Chamusca é mestre em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social; Pós-graduado em Educação Superior e Novas Tecnologias; Bacharel em Comunicação Social/Habilitação em Relações Públicas; pesquisador da área de cibercultura vinculado ao CNPq. Coordenador da pós-graduação em relações públicas da FBB; professor da pós-graduação em Comunicação e Marketing da FJT, da pós-graduação em Comunicação Organizacional da F2J; e professor de Comunicação Organizacional e Relações Públicas do Instituto Federal da Bahia (IFBA). Atualmente é secretário geral da Associação Latino-americana de Relações Públicas (ALARP-Brasil) e membro do Conselho de Relações Públicas do Centro Interamericano de Comunicação (CIC). É diretor geral do Portal RP-Bahia e atua como CEO da VNI Comunicação Estratégica e Digital e como consultor de Comunicação Social e Relações Públicas. É autor do livro Relações Públicas do Brasil (2007); autor de mais de 50 artigos publicados em livros, periódicos científicos e sites especializados na área de comunicação e educação, além de diversos artigos apresentados/publicados em anais de eventos internacionais no Brasil e no exterior. Twitter @mchamusca

O inexistente impacto da tecnologia na cibercultura

No último artigo, falamos sobre as características da interatividade e, ao aprofundarmos o tema, chegamos ao momento de tentar derrubar um grande mito contemporâneo: o impacto da tecnologia na sociedade e em sua cultura.

Alguns importantes autores da área de comunicação, durante muito tempo, desenvolveram suas pesquisas e seus trabalhos a partir da idéia central de que o impacto da técnica na sociedade e na cultura era muito maior do que o impacto da cultura e da sociedade sobre a técnica. Marshall McLuhan leva ao extremo essa proposta quando chega a afirmar que as características dos meios de comunicação, em si, são muito mais importantes de serem analisadas e estudadas do que as mensagens produzidas por eles, pois, segundo ele, “o meio é a mensagem”.

Não há dúvida que, do ponto de vista da isenção dos meios, o mestre McLuhan está coberto de razão. O meio de comunicação não é isento, como muitos costumam afirmar. Ao ser inserido no contexto social, ele realmente reconfigura a sociedade. Um exemplo emblemático que confirma essa tese é o da televisão, que independente do conteúdo que possa veicular, transformou e reconfigurou todo o contexto familiar.

Entretanto, hoje, podemos dizer que há quase um consenso sobre o fato de que os impactos existentes na relação técnica-sociedade-cultura são recíprocos e dinâmicos. Embora, para o senso comum, as grandes transformações por que passamos pareçam fruto exclusivo das novas técnicas. De fato, a técnica exerce impacto muito forte na sociedade contemporânea, mas essa constatação, muitas vezes inebriante, não deve obscurecer a realidade em que cultura e sociedade se engendram, especialmente quando falamos das tecnologias contemporâneas de comunicação, que vêm transformando amplamente nossa forma de inserção no processo sociocomunicativo, mas que não devem, por isso mesmo, polarizar as discussões.

Na mesma medida em que a técnica influencia a cultura e a sociedade, a sociedade influencia a técnica e a cultura, e, ainda, a cultura influencia a sociedade e a técnica. Portanto, muito embora as técnicas digitais não sejam o fator preponderante da relação tecnologia-sociedade-cultura, são, cada vez mais, constitutivas dos modos de interação e comunicação social, fenômeno que gera processos inclusivos e exclusivos, não apenas do ponto de vista macrossocial, mas termina por estabelecer uma espécie de mal-estar entre os atores fundamentais do processo ensino-aprendizagem, já que promovem o “confronto” desses atores, ambos frutos de processos de socialização diferenciados e também marcados por formas diferenciadas de apreensão da realidade e do conhecimento.

Todas essas características atribuídas aos novos meios, que têm sido introduzidos em nosso dia-a-dia a partir das tecnologias digitais, nos dá a sensação de que estamos passando, gradativamente, da concepção de sociedade analógica para uma sociedade digital, em que as informações circulam por todo o globo num processo de difusão em tempo real. Não obstante a constatação de que os modos analógicos de comunicação e difusão de informação não estão com os dias contados como pode parecer, pois a metáfora está na base da constituição dos signos e dos símbolos e, nesse sentido, certamente, os modos analógicos permanecerão.

Em nosso próximo encontro aqui, no Nós da Comunicação, vamos falar sobre a educação na cibercultura e retomar uma velha discussão sobre a necessidade das instituições de ensino adaptarem seus processos educacionais às novas condições impostas pelas transformações que o mundo vem sofrendo e que têm influenciado na formatação de padrões comportamentais das novas gerações de consumidores da informação e da comunicação na contemporaneidade.

Marcello Chamusca


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