Marcos Moura
A jornalista Carina Almeida, sócia-diretora da agência Textual, foi a convidada do chat ‘Esporte e Comunicação’, realizado na terça-feira, dia 9 de setembro. Recém-saída da cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, onde coordenou as ações de imprensa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) – cliente da empresa desde 1999 –, ela conversou com os internautas sobre as experiências vividas durante o evento e afirmou que o Brasil está preparado para ser a sede dos Jogos em 2016.
Confira abaixo os principais trechos do bate-papo:
CHINA
'Eu havia estado na China em abril, e foi impressionante a mudança ocorrida para os Jogos Olímpicos. Estava tudo mais colorido, mais alegre, mais aberto. O idioma ainda é uma enorme barreira para o intercâmbio com os chineses, e nas ruas era difícil encontrar alguém que falasse algumas palavras em inglês, apesar de ter lido que milhões de pessoas estavam aprendendo a língua. O pessoal da organização falava bem, mas muitos voluntários tinham nível básico do idioma, e aí a comunicação era restrita. Cabe registrar, no entanto, a enorme boa vontade de todos os envolvidos na organização em nos propiciar uma boa experiência lá. Não enfrentamos censura. Durante os Jogos, o governo chinês cumpriu um compromisso selado anteriormente com o Comitê Olímpico Internacional (COI), que liberou as normas voltadas ao trabalho da imprensa.'
A COBERTURA DOS JOGOS DE PEQUIM
'O foco do trabalho da Textual era a delegação brasileira. Em nossa concepção, desenvolver trabalho de assessoria de imprensa envolve atendimento às demandas dos jornalistas, mas, principalmente, envolve gerar conteúdo sobre o que se divulga. Também desenvolvemos o guia de imprensa, no qual os perfis de atletas são utilizados pelos jornalistas como suporte para elaborarem suas matérias. Foram produzidas 800 notícias, entre flashes e releases, e 850 fotos foram disponibilizadas no banco de imagens do COB. Vale lembrar que tudo isso foi produzido em menos de um mês, já que a nossa equipe chegou um pouco antes do começo dos Jogos. Ao todo, éramos 15 profissionais, entre assessores, repórteres e fotógrafos. Não tínhamos como contar com mais pessoas, em função do próprio número limitado de credenciais. A logística envolveu definir claramente as atribuições de cada um, com uma boa retaguarda na redação para dar conta de transformar informação em flash. Eram, no mínimo, 12 horas de trabalho na fase pré-Jogos, chegando a 18 horas no pico. A média ficou em 14 ou 15 horas. Dormia-se pouco, mas isso faz parte da dinâmica desse trabalho.'
AJUDA NO TRABALHO DA IMPRENSA
'Estamos fechando o nível de aproveitamento. Mas, de antemão, podemos afirmar que atingimos, sim, nosso objetivo. Nas edições anteriores, como Atenas, mais de 60% das fotos veiculadas na imprensa brasileira foram produzidas e distribuídas gratuitamente pelo COB, por meio do trabalho da Textual. Isso nos deixa bastante felizes, pois estamos cumprindo, na área de comunicação, a missão de contribuir para a disseminação do esporte olímpico no Brasil, especialmente num momento de ápice, como são os Jogos. Ao gerarmos conteúdo para toda a imprensa – seja para quem está nos Jogos, seja para quem está cobrindo do Brasil –, possibilitamos aos profissionais que estão nos Jogos ficar com tempo mais livre para fazer pautas diferenciadas. Agora, com relação aos resultados, à apresentação de atletas e equipes e às entrevistas com medalhistas, é impossível fugir do trabalho em conjunto. Até porque, pelas regras dos próprios Jogos, os medalhistas fazem entrevistas coletivas no próprio local de competição.'
PAN 2007 X OLIMPÍADAS 2016
'O Rio 2007 foi um vestibular no qual o comitê organizador passou com louvor, inclusive no que diz respeito às áreas para a imprensa. Técnicos, atletas e jornalistas internacionais elogiaram as instalações e os serviços, como transporte e notícias. Por isso, as equipes envolvidas no Rio 2007 ganharam ainda mais experiência, e várias pessoas estiveram em Pequim. Enfim, temos, sim, capacidade de sediar o Rio 2016. Todo o projeto do Rio 2007 foi desenvolvido de acordo com os conceitos dos Jogos Olímpicos, ainda que, em proporções menores, continentais e não mundiais. É claro que a dimensão dos Jogos Olímpicos é muito maior, por ser mundial, com mais de 200 países, enquanto o Pan é continental, com 42 países das Américas. No entanto, o fundamental é seguir a filosofia no planejamento e na operação. Foi o que aconteceu no Rio 2007. Por exemplo, o projeto da Copa de 2014 ajuda muito o Rio 2016, pois muitos investimentos em infra-estrutura que serão feitos para a Copa serão aproveitados para 2016. E estarão prontos dois anos antes. Os Jogos Olímpicos nunca aconteceram na América do Sul, uma região em crescimento, com enorme contingente de jovens. Ou seja, uma nova fronteira para a renovação do movimento olímpico internacional.'
TRABALHO COM O COB
'Desenvolvemos, como agência de comunicação, várias linhas de serviços. Especificamente para o COB, fazemos regularmente a assessoria de imprensa institucional e para eventos, mas também criamos o guia de imprensa dos Jogos, que é uma publicação. Eventualmente, atuamos em outras áreas. O balanço é muito positivo, e o COB tem percepção clara da importância da comunicação. Já fazemos a divulgação da delegação brasileira em Jogos Olímpicos, Pan-americanos e Sul-americanos, que são de atribuição direta do COB, desde 1999.'
O USO DE NOVAS FORMAS DE MÍDIA, COMO OS BLOGS
'As mídias sociais são uma fronteira nova que a área de comunicação vem desvendando. E estamos nesse caminho. Tudo é questão de avaliar o público-alvo da mensagem e buscar as ferramentas necessárias para estabelecer o diálogo. O credenciamento de blogueiros para eventos, por exemplo, é algo que tende a acontecer a longo prazo, em minha opinião. Porém, isso certamente é mais flexível em eventos menores, que não envolvam venda de direitos de transmissão. A China bateu recorde de profissionais de veículos de imprensa credenciados, recebendo mais de 24 mil pessoas.'
O ESTÁGIO DO ESPORTE NO BRASIL
'A evolução a que assistimos é fruto de um conjunto de ações cujo mote principal é a garantia de recursos permanentes e a seriedade dos projetos e planejamentos técnicos. Sem dúvida, a disseminação do esporte pela televisão é fundamental para ganharmos mais público, atrair patrocinadores e, com isso, gerar maior massa crítica.'
PATROCÍNIOS E A INFLUÊNCIA NO TRABALHO DA IMPRENSA
'O trabalho da assessoria de imprensa não sofre influência dos patrocínios. Já o programa de marketing do Comitê Olímpico de cada país precisa, sim, seguir algumas regras do COI, para evitar conflitos entre patrocinadores globais dos Jogos (os chamados top) e os patrocinadores locais de cada comitê. Por exemplo, o Comitê Nacional não pode ter um patrocinador que seja concorrente de um top do COI dentro da mesma categoria de produto ou serviço.'