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Reportagens

17/6/2008

COMPORTAMENTO

Como manda o figurino? Perdas e ganhos do visual no mundo corporativo

Monica Riani

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O inverno vem aí e, com ele, um antigo dilema: como conciliar o que manda o figurino corporativo e o apelo de roupas, acessórios e perfumes das novas coleções? Bom senso, invariavelmente, ajuda a acertar. Afinal, nem sempre o ‘último grito da moda’ dá o melhor tom para o guarda-roupa usado no dia-a-dia das empresas. A consultora mineira Andrea Azevedo sabe disso e ensina a acertar o passo. Advogada, atuou por sete anos em multinacionais, como Andersen Consulting e Fiat, até migrar para um escritório de advocacia. De lá, partiu para a área de consultoria de imagem, inaugurando o próprio escritório, Andrea Azevedo Consultoria de Imagem, localizado em Belo Horizonte.

'Por todas as empresas que passei, sempre frisaram a importância da imagem pessoal, e isso me interessou em todas as ocasiões. Paralelamente, moda, cabelo e maquiagem, desde cedo, foram meus hobbies. Unindo as duas experiências, decidi me dedicar à consultoria de imagem', conta. Seguir moda no meio corporativo pode representar um risco. A tendência outono-inverno deste ano inclui alfaiataria, casaquetos, pantalonas, botas e muito roxo colorindo as peças, além de meia-calça fio 40. 'Esses tipos de peças podem ser usadas no trabalho. Com bom senso para cada profissão', prega a consultora.

 

ACESSÓRIOS COMO ALIADOS

Os clássicos terno e tailleur podem ganhar um colorido com acessórios. Colares, anéis e bolsas podem dar certa leveza aos tons discretos. Exemplo: um tailleur preto vai bem com sapato vermelho e bolsa preta. O segredo é a harmonia. Flor na lapela também está na ordem do dia da tendência.

Em qualquer estação do ano, há que se atentar para um sinal grave de deselegância: um ótimo perfume francês pode ser o toque de mestre ou um repelente no ambiente de trabalho. 'As pessoas ao redor não precisam sentir o aroma. A regra é clara: uma gotinha atrás de cada orelha, levissimamente no pulso, e só', diz a consultora. A maquiagem segue o mesmo caminho. Tons de marrom e terra em batons, sombras e blushes.

Em comum para homens e mulheres: atenção para tatuagens e piercings. 'O mundo corporativo não aceita muito. O ideal é cobrir para não causar estresse.' Se pintar o corpo pede comedimento, o cabelo também pede. 'Vermelho ‘Rita Lee’ jamais. Para empresas mais tradicionais, recomenda-se discrição também na hora de escolher a tintura', aconselha.

 

HOMEM É MAIS OBJETIVO

Andrea Azevedo diz que o homem é muito objetivo em seu vestuário. “Os clientes que me procuram dizem que querem parecer bem-sucedidos, pois têm como meta alcançar a presidência da empresa”, conta. Os códigos aí são precisos: grifes batizando ternos, relógios e carros.

Freqüentemente convidada para palestrar no Senac, na Fecomércio e na Universidade Estácio de Sá, a consultora desenvolve seu trabalho em etapas: entrevista pessoal, análise cromática, geometria corporal e facial, guia de estilo personalizado e cuidado com a pele e automaquiagem. “Existe um padrão de vestuário exigido pelo mercado. O exemplo clássico é homens de ternos, mulheres de tailleur e cores discretas. Esse padrão corporativo é universal. Dentro desse padrão, buscamos a essência para diferenciar o cliente. Ele pode ficar bem-vestido, de acordo com tipo físico, tom de pele... Tudo isso é observado ao longo do processo”, explica.

 

NADA DE TEATRO

Andrea Azevedo ressalta que não é objetivo da consultoria criar um personagem para o cliente. Por isso, a primeira etapa do trabalho é fazer uma entrevista tranqüila e extensa, procurando conhecer perfil e rotina do entrevistado, além do que pretende com a transformação. Desse raio-x resultará uma análise sob medida para o cliente.

O importante é diagnosticar que cada ambiente profissional espera uma imagem. “Não podemos aplicar o modo de vestir de um designer gráfico ou um publicitário em um advogado. Cada um tem o próprio. Ressaltando que é possível ser esportivo dentro do ambiente jurídico”, analisa.

 


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