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Reportagens

13/11/2009

INTERNET

Um perfil completo sobre os jornalistas brasileiros nas redes sociais

Christina Lima

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Imagem conceitual de jornalistas em rede

Os hábitos dos jornalistas brasileiros nas redes sociais e na web 2.0 foram registrados por um estudo que, entre os meses de junho e setembro de 2009, consultou 900 comunicadores. A pesquisa ‘Como os jornalistas usam as redes sociais no Brasil’, elaborada pela S2 Comunicação Integrada, analisou as respostas de profissionais dos principais veículos impresso e on-line, emissoras de TV e rádio, e revelou que 72,07% dos jornalistas usam as redes sociais com objetivos profissionais e pessoais. O Orkut é o mais utilizado (83,46%). O mais recente fenômeno, Twitter, é frequentado por 50% deles; enquanto 30% acessam o Facebook.

Considerando números de usuários por região, o estudo publicado na primeira semana de novembro demonstra que, no estado de São Paulo, 348 jornalistas participam de alguma rede social; 100 no Sul; 136 no Sudeste (fora o estado de São Paulo); 128 no conjunto de estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Orkut e Twitter revelaram-se grandes fontes de informação para os comunicadores, sendo citados por mais de 40% dos consultados, chegando a quase 60% nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para José Luiz Schiavoni, sócio da S2, os resultados confirmam tendência irreversível, após a digitalização, da conexão das pessoas à web por meio de computadores, aparelhos celulares e displays interativos. “A internet teve destaque por globalizar o mundo e fornecer informações as quais as pessoas não teriam acesso: um arquivo riquíssimo para a imprensa. Com as mídias sociais, esses jornalistas encontraram uma fonte de informação e discussão alternativa para estudar individual e coletivamente os processos que estão ocorrendo no mundo e analisar o impacto da notícia”.

Um dos dados mais surpreendentes, na opinião de Schiavoni, diz respeito ao tempo de navegação. “Em todas as amostragens que tabelavam os percentuais de participação, atualização, conexão e acesso, São Paulo obteve liderança. Quando olhamos a distribuição do tempo de navegação nas mídias sociais por região, a Região Sul ultrapassou em cerca de 10% o estado de São Paulo. Mesmo se considerarmos que o Sul é composto por três estados, e a margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, o tempo de dedicação a essas redes tenderia a ser maior, de acordo com os resultados que obtivemos nas demais amostragens”.

A pesquisa demonstrou que o comportamento desses comunicadores tem dois aspectos. “As redes sociais são usadas para interesse pessoal e, por meio delas, os jornalistas conversam, se relacionam com amigos, procuram informações sobre assuntos diversos. Profissionalmente, usam as redes para se conectarem a suas fontes, analisam o comportamento das pessoas, observam tendências, têm acesso às notícias do mundo inteiro, veem blogueiros opinativos e os comentários recebidos, comunidades contra e a favor sobre assuntos em pauta”, afirma Schiavoni.

Na mais recente edição do MediaOn, fórum de jornalismo on-line realizado em outubro em São Paulo, o tema de encerramento do evento foi justamente ‘O que um jornalista precisa para se integrar à era das novas mídias’. Tiago Dória, editor de um blog sobre cultura, web, tecnologia e mídia, e participante do painel, comentou que enquanto os jornalistas não dominarem os conceitos, não aproveitarão nem 10% do potencial das redes sociais. “Elas são um meio para ir a algum lugar. Hoje é o Twitter, amanhã será outra ferramenta. As ferramentas vão e voltam, e os conceitos ficam”, declarou o jornalista na ocasião.
 

Restrições e tentativas de controle mundo afora

A utilização de redes sociais por jornalistas, porém, tem causado desconforto nos veículos de comunicação que os empregam no Brasil e no exterior. Pululam manuais de conduta e políticas de uso das redes sociais. Em junho, a agência de notícias Associated Press (AP) distribuiu um guia restringindo as ações de seus jornalistas no Twitter e no Facebook. Meses antes, o gigante de mídia Bloomberg News já advertira os membros de suas redações a não publicar ou discutir em nenhum site, blog ou mídia social qualquer tópico que esteja dentro da esfera de cobertura da Bloomberg. Um sério exercício de interpretação.

Em agosto, a rede de esportes ESPN Internacional também divulgou internamente suas exigências. Âncoras, apresentadores, editores, comentaristas, analistas e repórteres foram proibidos de “tuitar” sobre qualquer outro assunto que não seja do interesse da ESPN. A atualização de site pessoais ou blogs que contenham qualquer informação sobre esporte não é permitida. Os jornais ‘The New York Times’, ‘Washington Post’, ‘The Wall Street Journal’ e ‘Los Angeles Times’ também impuseram a seus jornalistas regras de participação nas mídias sociais.

Por aqui, em setembro, ‘Folha de S.Paulo’ e TV Globo veicularam seus comunicados. O periódico paulistano escreveu: “Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do Twitter devem lembrar que: representam a Folha nessas plataformas, portanto, devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários”. Já a rede carioca divulgou o seguinte a seus funcionários: “A hospedagem em portais ou outros sites, bem como a associação do nome, da imagem ou voz dos contratados da Rede Globo a quaisquer veículos de comunicação que explorem as mídias sociais, ainda que o conteúdo disponibilizado seja pessoal, só poderá acontecer com prévia autorização formal da empresa”.

 


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