Marcos Moura
A Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-RJ) recebeu na chuvosa manhã desta sexta-feira, 9 de outubro, o evento presencial do Nós da Comunicação, dentro da programação do Ciclo Comunicar Tecnologia. Com o tema ‘Revolução tecnológica ou humana? Qual o valor da empresa na era digital?’, o encontro contou com a presença de Carlos Nepomuceno, jornalista, consultor e professor da UFRJ, Facha e Senac, e com a apresentação de Elisa Andries, pesquisadora de novas tecnologias e gestora do portal corporativo da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP-Fiocruz).
O encontro, que reuniu profissionais e acadêmicos, girou em torno de ‘conexão’, ‘colaboração’ e ‘compartilhamento’. Nepomuceno mostrou-se cético ao analisar o atual estágio comunicacional. “Vivemos em uma sociedade conectada. Só que conexão nem sempre quer dizer comunicação. Estamos perdendo a capacidade de nos comunicar’, comentou, dando um exemplo prático: “Ao criar o Bolsa Família, o Governo Lula conectou-se com uma parcela da população que não se conectava. Mas perdeu a chance de se comunicar efetivamente com ela”, prosseguiu.
Nepomuceno acredita que as novas ferramentas de comunicação estão mudando, aos poucos, a vida de todos nós. “Estamos à beira de revoluções sociais. A revolução humana é que será opcional, pois passará pela disposição de cada um”, salientou.
O crescimento acelerado do que chamamos de ‘redes sociais‘ também ocupou espaço de destaque no evento. “A primeira grande rede social que existiu foi a academia, e ela foi possível graças ao advento do livro impresso, que criou a universidade, que gerou as trocas de ideias e de informações”, assegurou.
O consultor destacou o livro impresso como uma das maiores rupturas comunicacionais da humanidade. “Em 1450, Gutenberg fez com que o livro deixasse de ser 1.0, com os manuscritos, e se tornasse 2.0, com os livros impressos. O livro impresso era o blog da época. Em apenas 50 anos, tivemos milhares de títulos chegando às pessoas”.
O jornalista mostrou-se preocupado com a divisão de opiniões em relação à internet 2.0: ou a pessoa é ‘tecnotimista’ e acha que a web veio para salvar o mundo, ou é ‘tecnofóbica’, é acha a web o inferno, o final de nossos dias. “O que precisamos é caminhar na estrada estreita, no meio do caminho. A internet não é a salvação da Terra, nem o final do mundo. O problema é que as pessoas têm pressa”, continuou.
Para Nepomuceno, a tecnologia não está no centro de todas as boas coisas que estão acontecendo no universo da comunicação. “Internet 2.0 não é tecnologia, é ideologia. Modernidade não tem nada a ver com tecnologia, e sim com a capacidade que temos de nos comunicar”, declarou.
Ele acredita que o mundo corporativo ainda está distante de entender e incorporar as ferramenta de comunicação à rotina. “Hoje temos muita troca de informações, de ideias, e isso parece incompatível com as instituições. A web veio para aproximar e as empresas precisam repensar o seu marketing. Mas elas não têm diálogo. A cooperação tem que ser honesta e sincera. Enrolação tem perna curta.”, finalizou.
Elisa Andries 9/10/2009 21:02:06
O evento foi um sucesso. O Nepomuceno, como sempre, seduz a plateia com bom humor e inteligência, e a plateia respondeu a altura. Altíssimo nível. Ao Nós da Comunicação, muito obrigada pelo convite para mediar o evento (pena que o Sergio Amadeu não conseguiu chegar por causa do temporal no Rio e em São Paulo) e a chance de poder trocar experiências e aprender com todos que lá estiveram. Até a próxima!