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Reportagens

6/10/2009

CICLO COMUNICAR TECNOLOGIA

Rogério Christofoletti: 'a web tem nos mostrado que não há solução mágica'

Marcos Moura

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Rogério Christofoletti, professor e pesquisador do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

O Nós da Comunicação promoveu na tarde desta terça-feira, 6 de outubro, um chat com Rogério Christofoletti. Jornalista, mestre em Linguística e doutor em Ciências da Comunicação, ele é professor e pesquisador do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Christofoletti debateu com nossos leitores a comunicação digital e as relações humanas criadas após o avanço tecnológico e a avalanche de informações propiciada pela internet e as novas ferramentas de comunicação.

Fernanda Quintanilha Pinheiro e Iuri Lammel Marques fizeram perguntas relevantes durante o bate-papo e foram escolhidos, pelo próprio convidado, para receberem exemplares do livro ‘Ética no Jornalismo’, escrito por Christofoletti e lançado em 2008 pela editora Contexto.

Confira o melhor do chat a seguir:

barbaralobato:  Boa tarde, Christofoletti. Cada vez mais as pessoas têm acesso às mídias sociais e tornam a informação pública. É a chegada do ‘jornalismo cidadão’?
Christofoletti:
Eu não diria tão categoricamente que é chegada a hora do 'Jornalismo Cidadão', mas sem dúvida, é um momento importante para o processo de comunicação, e de crescimento, de alargamento das possibilidades de participação, colaboração e presença mais evidente dos usuários.

aurelio.favarin: Você acha que as estruturas organizacionais favorecem o fortalecimento das redes sociais nas organizações? [ProcessingInstruction]
Christofoletti:
Nem sempre. As universidades, as empresas, enfim, as organizações de um modo geral nem sempre estão dispostas ou preparadas para um novo momento como este, em que se pode dialogar mais, trocar mais informações e agir coletivamente em termos de construção de conhecimentos e experiências.

Barbaralobato: Mas, nesse contexto, algumas organizações ainda veem as mídias sociais como ferramentas de comunicação monológicas, e não dialógicas. Será que podemos esperar alguma mudança na "ponta" (usuários) e não nas grandes empresas? Como fazer isso?
Christofoletti:
Acho que sim. Penso que - cada vez mais - teremos o usuário assumindo posições, ocupando espaços de centralidade nos processos de comunicação. Então, arrisco dizer que a mudança pode ser provocada de baixo pra cima, com mais intensidade e vigor que na direção contrária...

Flávia Galindo: Li uma declaração de J. Dooner, presidente da McCann, dizendo que "quando consumidores se tornam mídia, é preciso armá-los de informação e estar disponível para dialogar com eles". Qual seria o perfil ideal do (novo) jornalista e o que se espera dele?
Christofoletti:
Puxa, a pergunta é difícil. Talvez eu não possa respondê-la tão rapidamente aqui, mas vou ao menos apontar o que penso sobre isso. Acho que se pode esperar desse novo profissional uma postura mais dialógica, menos olímpica e menos resistente às muitas mudanças que vêm acontecendo ultimamente. Neste sentido, penso que os jornalistas devem ouvir mais seus públicos, e estabelecer relacionamentos diferentes dos tradicionais. Isto é, relacionamentos mais horizontalizados... mas voltarei a falar sobre isso ainda hoje...

@camila_a_leite: Independentemente da plataforma, gostaria que você comentasse o papel do profissional de comunicação nesse novo modelo de difusão de informação e de construção de uma nova sociedade.
Christofoletti:
Acho que esses novos profissionais precisam entender os fluxos de informação, frequentar as novas redes sociais, buscar informações em públicos e fontes não tradicionais; enfim, precisam alterar sensivelmente seus procedimentos. Talvez as novas gerações de profissionais já estejam bastante familiarizadas com tudo isso, mas elas - as novas gerações - convivem com outras e deverá haver um contágio (hehehehe) dessa disposição nas redações, nas empresas...

M_Caleiro:  Você vê alguma possibilidade de consolidação, em bases profissionais, de um jornalismo que não seja aquele praticado pelos grandes grupos de mídia nem, por outro lado, pelo modelo atomizado e de fôlego relativamente curto para grandes reportagens dos blogs, como sugere, por exemplo, Leandro Fortes?
Christofoletti:
Boa pergunta! Acho que teremos diversos modelos coexistindo por um bom tempo. As grandes corporações de mídia já enxergam na mídia-de-usuário ótimas oportunidades, e aí, se apropriam (às vezes de forma competente, às vezes, não) dessas possibilidades. Ao mesmo tempo, temos outras maneiras de buscar informação, driblar o mainstream e alcançar informação qualificada e confiável. Acho que teremos não UM modelo, mas diversos coexistindo...

Fernanda Quintanilha: Você acredita que a evolução da comunicação digital, no contexto da comunicação interna das instituições, acabou completamente com a efetividade da entrega de informações por meio de veículos impressos? Ou seja, o jornal institucional impresso deve ser extinto e transferido por completo para a web?
Christofoletti:
Não. Não acho que os jornais impressos venham a morrer. Talvez um dia. Mas não sou tão pessimista quanto alguns autores - como o Philip Meyer, por exemplo - que inclusive determinam dia e hora pro fim dos impressos. É certo que alguns países estão passando por crises brabas no setor. Os EUA são um exemplo, mas aqui no Brasil, a crise não chegou pra valer. Há quem aponte uma relação direta entre oferta de banda larga de internet e queda de tiragem/circulação de jornais, mas ainda acho prematuro dizer... só sei de uma coisa: os jornais precisam se reinventar...

Nós da Comunicação: Uma questão que já debatemos e gostaríamos da sua opinião: em nossa sociedade atual, em que todos ganham as funções de produtor, editor e distribuidor de conteúdo, qual o diferencial do comunicador?
Christofoletti:
Olha, tendo a pensar que o que vai diferenciar produtores de comunicação e comunicadores será mesmo a assunção de uma ética, de um ethos profissional para os comunicadores. Isto é, os amadores não têm os compromissos ou dilemas que os profissionais têm. E isso se deve muito por conta de uma deontologia, de um conjunto de regras, valores e normas que nos impomos. Então, penso que o diferencial estará num âmbito ético-moral, mais do que tecnológico...

rvandromel: Como você vê a chegada de tantas redes sociais e o advento das mídias sociais? Está se instaurando o caos ou há como manter a ordem?
Christofoletti:
Não acho que seja o caos, sabe. Penso que é o contrário. Enquanto estamos usando nosso tempo, nossos recursos e nosso potencial social em formar e alimentar redes sociais estamos trabalhando positivamente para fortalecer laços e crescer juntos. Mesmo que seja confuso e caótico...

dissat: Por que existe essa guerra tão grande entre a velha geração e a nova geração de jornalistas? Será que estarem juntos não seria melhor? Sou da velha geração apaixonada por internet (@fimdejogo)
Christofoletti:
Penso que essa "guerra" é natural e ancestral. Sempre houve e sempre haverá. Em diversas partes, diversas áreas. Mas conviver, buscar a união é sempre melhor mesmo... você tem razão!

casotti: Os jovens têm mais facilidades de entender as novas mídias. Como os - sem chamar de idosos, por favor - experientes profissionais, que estão acostumados a um outro ritmo, devem atualizar seus conhecimentos de mercado?
Christofoletti:
Os mais velhos ou menos experientes em novas mídias devem começar pelas redes sociais. Lá, encontramos amigos, fazemos novas amizades e sempre tem gente disposta a ajudar, a dar dicas.

Visionello: meu nome é Isabel. Estive recentemente conversando com uma diretora de uma multinacional que disse que a comunicação digital na empresa é um processo muito avançado para eles no momento. Fiquei sem resposta na hora. Como uma empresa pode se sobressair ou até sobreviver sem estar no meio digital?
Christofoletti:
Não vejo saída. As empresas vão precisar se render a isso... não vamos retroceder...

Marcos: como professor e pesquisador, você vê a universidade brasileira preparada ou se preparando para o desafio de educar os novos comunicadores?
Christofoletti:
Não posso falar por todas as universidades. Mas tenho visto bons e maus exemplos por aí. Há instituições que - sob o pretexto de dar segurança às suas redes - aplicam diversos filtros na internet, o que tira grande parte das potencialidades dali. O aluno não pode acessar YouTube, redes sociais, etc.. O que fazem os alunos? Eles buscam contornar os impasses, por vias tecnológicas ou por vias outras. Eles - os alunos - pensam em rede, agem em rede, e furam os bloqueios. Outras instituições percebem que não podem dar murro em ponta de faca, e buscam formas mais inteligentes de blindar suas redes e liberar a internet para seus públicos internos.

paulobeneton: Redes Sociais ou Mídias Sociais? Qual a diferença desses dois termos?
Christofoletti:
Redes Sociais são agrupamentos de pessoas na internet. As mídias sociais são as ferramentas que usamos. Um exemplo: você tem um blog e coloca à disposição os seus blogs favoritos, indicando para os seus leitores. A união desses blogs forma um webring, um elo, uma ciranda de links. Essa ciranda é uma rede social, tem laços ali. Mas o que você estava usando era uma ferramenta, uma mídia social, o blog...

lammel: Você acha que as deontologias profissionais têm alguma serventia no jornalismo de hoje? Me refiro a deontologias descritivas, como os códigos de ética. Às vezes tenho a impressão de que elas servem apenas para debates entre acadêmicos.
Christofoletti:
Sua pergunta é ótima, porque é angustiante e premente. Não sei dizer agora, mas penso que podemos caminhar para um cenário parecido com o que você desenha aí: um vale-tudo moral. Neste sentido, como agir? Primeiro, os códigos são importantes. Eles sinalizam os valores que seguimos. Segundo, são importantes porque são coletivos e plurais. Terceiro, não basta que tenhamos bons códigos, mas é preciso segui-los, debatê-los e ter um sistema de fiscalização e manutenção. No caso, as comissões de ética. Se elas não funcionarem, os códigos tornam-se letra morta. Mas discutir códigos não é apenas para acadêmicos, embora o debate pareça - muitas vezes - alheio às realidades concretas...

Fernanda Quintanilha: E quais os principais pontos a serem observados nessa movimentação de reinventar a mídia impressa?
Christofoletti:
Putz! As mudanças nos jornais são necessárias e urgentes. Os jornais ocupam hoje um papel muito restrito na dieta informativa da maioria das pessoas. Seja porque se tornaram caros, porque se tornaram chatos e enfadonhos, seja porque as pessoas não têm mais o tempo que dedicavam a eles. A TV, o rádio, a internet modificaram nossa noção de tempo e utilidade. Os jornais precisam buscar formas de inserção no cotidiano popular. Isto é, os jornais precisam convencer as pessoas de que não são apenas importantes, mas que são úteis e indispensáveis. Note, por exemplo, que ninguém fala de morte das revistas. E por quê? Porque este é um segmento inquieto desde sempre, e que - ao menos no Brasil, mas em outras partes também - se apoia em pesquisas de mercado, em formas ousadas, em novos modelos gerenciais e de distribuição de conteúdo...

casotti:  como você avalia a relação entre política e rede social? É possível ter um blog político - por exemplo, o do Planalto - com espaço para comentários?
Christofoletti:
Acho que o Blog do Planalto é um não-blog. Se não tem espaços para comentários, não é blog. É web 1.0...

rvandromel: você concorda com a frase: "O usuário é a mídia"? As pessoas têm confiado cada vez mais nos conselhos de outras pessoas que talvez nem conheçam do que nas propagandas?
Christofoletti:
Não sei se concordo com a frase. Acho categórica demais. Nem todo usuário quer ser mídia. Mas não podemos ignorar a força avassaladora que as audiências (antes passivas e confinadas) têm demonstrado...

Marcos: como você avalia o estágio da indústria da intermediação (editoras, gravadoras, estúdios de cinema)? É possível que tenhamos uma cultura 100% free?
Christofoletti:
Sabe. O livro do Chris Anderson é mesmo inquietante, provocador. Como ele... Não sei se teremos uma cultura 100% free algum dia. Me parece um modelo insustentável, e hoje se fala tanto de sustentabilidade e retroalimentação. Mas acho importante o usuário, o cliente, o comprador poder discutir esse assunto. Quando é que a gente pode discutir preço com o vendedor? Quase nunca! Quase nunca...

Nós da Comunicação: A web 2.0 tem protagonizado episódios paradigmáticos, como no caso da cobertura da morte do Michael Jackson, na difusão de informações sobre o Irã, etc.. João Carlos Caribé, em entrevista ao Nós, disse que nunca na história tivemos uma ferramenta tão poderosa, democrática e libertária como a web 2.0? Você concorda com ele? 
Christofoletti:
Concordo com o Caribé, sim. É um momento realmente extraordinário este, e é difícil não se empolgar. Mas é preciso estar atento e forte. Tanta liberdade e conhecimento incomoda e faz muita gente se tremer...

Fernanda Quintanilha: Você acredita que, sendo minimalista, o formato que os jornais se apresentam, desde o tipo de papel utilizado até a sua diagramação e cores, tem importante "culpa no cartório" nesse processo?
Christofoletti:
A forma contribui para isso, mas me parece que o vital é reinventar uma função informativa para os jornais. Hoje, por exemplo, é necessário termos jornais? Em que medida? Para quais públicos? E como os jornais vão se relacionar com as outras mídias? Como podemos responder a essas questões - este é um palpite meu -, a natureza dessas respostas pode nos ajudar a ver novos caminhos para este importante meio...

goergen:  "Hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa". Até que ponto podemos considerar essa frase verdadeira? Dado o arranjo social que a internet está proporcionando?
Christofoletti:
As pessoas podem "desafiar o mundo sem sair de casa", mas isso pode significar muito pouco, dependendo das condições disso. Em termos políticos, penso que ainda estejamos engatinhando na internet. Manifestações físicas, assunção de posicionamentos, e intervenção prática ainda me parecem ser mais efetivos...

Marcos: O controle sobre a web, o senado francês, o parlamento italiano, o senador Azeredo. É possível controlar a rede e 'desconectar' internauta?
Christofoletti:
Acho que não é possível. Mas governos e governantes estão sobressaltados em seus gabinetes. Como disse há pouco, tanta liberdade e tanto conhecimento assusta a muitos...

Fernanda Quintanilha: Falando em sustentabilidade, como dar continuidade aos veículos impressos quando lutamos pelo não desmatamento e corte de árvores e pela diminuição do uso de papel nas instituições? Não é contraditório demais?
Christofoletti:
Não acho que seja contraditório defender as florestas e defender os meios impressos. O que precisamos é buscar formas equilibradas de consumo. Usar melhor. Usar menos energia na produção, e todos os ditames que os ecologistas e ambientalistas apontam. Livros são tão importantes quanto árvores. Jornais idem. Precisamos racionalizar nossos consumos, e buscar - com inteligência - saídas menos dolorosas para nossos problemas...

lammel: Antes tínhamos os jornalistas como gatekeepers, hoje temos os usuários de redes sociais como "gatewatchers". Até que ponto estes usuários substituem o jornalista nesta função de filtragem? O jornalista perdeu (ou vai perder) esta função específica?
Christofoletti:
Sabe, a professora Jane Singer publicou um importante artigo na revista Trípodos no ano passado em que ela aponta isso. O artigo tem o título "The Journalist in the network". E no texto, ela aponta que se o jornalista perdeu essa função de gatekeeper, perdeu parte da coluna que sustentava a sua profissionalidade e a sua deontologia. Os argumentos que ela usa são poderosos e a discussão é realmente muito boa e palpitante. Tenho pensado bastante sobre isso, e confesso que às vezes chego a becos sem saída. Mas tentando responder - mesmo que indiretamente - a sua pergunta, penso que é necessário considerarmos que na web também temos gatekeepers. Alguns blogueiros famosos, alguns internautas muito influentes têm assumido essa função, sim...

barbaralobato:  Acredito que quando os jornais deixarem de ser reféns de conglomerados políticos e receitas publicitárias, teremos mais qualidade no meio impresso... não acredito na morte dos jornais...
Christofoletti:
Você traz um importante elemento para a nossa discussão, a credibilidade. Muito do que os jornalistas oferecem está sustentado por isso. O Eugenio Bucci costuma dizer que este é o maior patrimônio de um jornalista. E concordo com ele. Sem confiabilidade, não se vai muito longe. Os meios na internet, no entanto, vêm contribuindo com novos sistemas de reputação, e acho que blogueiros e jornalistas têm se contagiado com esses valores, de lado a lado. Discuti isso em alguns artigos, que você pode pegar lá no meu blog... na seção ‘Meus artigos’... depois, claro, podemos explorar melhor isso...

@rvandromel: O jornalismo tem de se adaptar ao mundo 2.0, em que as pessoas deixaram de só ouvir e passaram a dar sua opinião. Como você vê a reação das grandes empresas quando se deparam com críticas e comentários negativos influenciados por autores "anônimos"?
Christofoletti:
Olha, eu sou contra o anonimato. Se você tem uma crítica, uma sugestão, um reparo a fazer tem que se identificar. Sei que muitos blogueiros importantes defendem o anonimato, mas ainda não me convenço com os argumentos que usam a favor disso. Pra mim, é cômodo, é covarde, e é temerário ficar anônimo...

@camila_a_leite: Rogério, continuando o assunto "política e web" você acredita na vinda ao Brasil - e na contratação por partidos políticos brasileiros - desses novos gurus que capitanearam campanhas políticas na Europa, Chile e especificamente nos EUA?
Christofoletti:
Precisamos mesmo importar isso? Não sei. Conheço gente muito competente por aqui e que dá um banho... o episódio do clone do Blog do Planalto foi uma ótima maneira de dois profissionais do ramo se mostrarem ao mercado e demonstrarem o quanto foi equivocada a estratégia do governo... é apenas um exemplo...

Fernanda Quintanilha: Era isso que queria sentir: o apoio ao veículo impresso. Mensurar as minhas expectativas com a de um especialista! Eu acredito na pessoalidade dos veículos impressos e vejo isso como um dos fatores psicológicos importantes na construção de um relacionamento de confiança com o leitor. O mundo virtual, querendo ou não, acaba com o aspecto sensorial físico e o impresso traz isso à tona - o que você pensa sobre isso? Christofoletti: Se você tinha dúvidas quanto ao meu posicionamento, não tenha mais. Acredito nos jornais. Acho os jornais importantes. Compro e leio jornais. Mas ainda considero que eles precisam correr para se manterem como úteis e vitais em nossa vida social.

goergen: O futuro é Software Livre? Ou já é o presente?
Christofoletti:
Já é o presente, meu caro. Mas penso que, como em outros setores, teremos a coexistência de vários modelos, software-proprietário e free...

evertonSR: Uma das grandes discussões com o avanço da novas tecnologias é a dificuldade em filtrar a informação relevante e o real impacto na formação do cidadão. Você acredita que as novas mídias estão contribuindo para mobilizar pessoas ou temos uma enxurrada de informações sem atitudes de mobilização de fato?
Christofoletti:
Temos de tudo, meu caro. Temos polifonia informativa, temos confusão, notícias mal feitas, boatos, discussão, informação mal apurada, conflitos de interesse, opinião travestida de informação, mas - apesar disso tudo -, melhor assim. Melhor termos muito e podermos fazer uma triagem do que contarmos com as migalhas que caem da mesa... Liberdade de informação! Liberdade de escolha!

casotti: Mas se tivesse espaço para comentários, o 'Blog' do Planalto, seria viável?
Christofoletti:
Ninguém obrigou, forçou o Planalto a abrir um canal como este. Eles é que escolheram isso. Portanto, se escolheram essa mídia precisam se adequar e usar as suas regras. Comentário é algo da medula dos blogs. Sem eles, não há interação, não há diálogo, não há contato...

Marcos: O que você acha do Andrew Keen? Ele está certo ao afirmar que tanto 'amadorismo' na web está afetando a cultura?
Christofoletti:
Pra ser bem sincero, eu não consegui terminar a leitura do Keen. Me embrulhou o estômago. Há argumentos poderosos, mas ele força muito a barra’... Por isso, eu não sou a melhor pessoa para comentar o texto dele...rs

Fernanda Quintanilha: Penso que o Twitter, YouTube, blog devam ser usados como caminhos para se chegar a um canal organizado e efetivo de comunicação das instituições e não O CANAL: o que você acha?
Christofoletti:
Sim. O que a web e as mudanças todas têm nos mostrado é que não há solução mágica, não há saída única. É preciso compor, associar, aglutinar...

 


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