Risoletta Miranda
A explosão do uso das redes sociais no mundo inteiro (Brasil incluído) está provocando uma mudança no cenário do uso de sites e portais pelas empresas de maneira geral. Isso é mais claro, especialmente, naquelas que viam esse tipo de plataforma como seu principal ambiente de comunicação digital. Hoje, há um ponto de inflexão diferenciado no tema. O foco conceitual da comunicação digital tem se transferido para a “conversação” das redes sociais, que têm sido o ambiente de relacionamento como fim em si. E olhando a necessidade do usuário/consumidor, percebe-se que os sites ‘institucionais’, definitivamente, não atendem.
E não atendem por quê? Primeiro, do ponto de vista estrutural e tecnológico: a matriz de arquitetura da informação da maioria dos portais institucionais ainda é muito rígida e pouca afeita às necessidades de interação colaborativas. A própria natureza da informação de áreas-padrão, como Quem Somos, Palavra do Presidente, Produtos, Missão, Clientes, Testemunhais e Cases – só para citar áreas bem comuns –, não facilita a colaboração, a interação e o diálogo. Em resumo, não é atrativa, não provoca reações, não ‘carrega’ em si o sentimento de ‘causas’ que tanto agrada hoje ao cliente e cidadão conectado.
Por outro lado, as empresas que têm saído na frente, usando e experimentando (tem de experimentar mesmo) as redes sociais, estão conseguindo atuar através do “diálogo digital” de forma mais coloquial, direta, colaborativa e em tempo real. Dessa forma, elas mesmas estão fazendo a transição de seu portal institucional de antigo protagonista e âncora de comunicação de digital para ser algo como um hub de distribuição onde estão os direcionadores de interesses de comunicação do internauta. Mas fica a pergunta: como assim?
Nessa nova ordem da comunicação atual, o site institucional só servirá para ter os links para as redes sociais? A pensar… A verdade é que há uma agonia dos portais informativos sim. Se o relacionamento está migrando para as redes sociais, por outro lado, há também o caminho da rede social própria. São duas opções diferentes a serem analisadas em um cenário de convergência. Seria, assim, uma versão do site institucional muito mais instigante.
O texto foi publicado anteriormente no blog da FSB Digital.
Risoletta Miranda é diretora-executiva da FSB PR Digital.
Bruno Blankenburg 4/2/2010 10:09:30
Risoleta,
É muito difícil as redes sociais digitais acabarem com os sites das empresas, mesmo porque são veículos de comunicação diferentes, com objetivos e utilidades diversas.
O site é totalmente institucional. Lá são divulgados produtos, serviços, fala do presidente, carteira de clientes, principais endereços, etc. É o produto típico da web 1.0: um fala pra todos ouvirem.
Já as redes sociais são um espaço de debate, de compartilhar informações, enfim, de diálogo com consumidores, fornecedores, parceiros e até com colaboradores internos.
Na verdade, o site complementa as redes sociais e vice-versa. Por isso um fortalece o outro e dificilmente os sites oficiais deixarão de existir.
Marisa, entrei no site da ID/TBWA e, apesar de "sairem da caixinha" esqueceram do principal: facilitar a comunicação. O internauta tem que descobrir que o portifólio está no blogger, a equipe no orkut (e quem não tem cadastro lá?) e o institucional deveria estar na Wikipédia (que deletou o conteúdo por ser comercial). De qualquer forma é uma experiência válida e comprova o que disse acima... as redes sociais complementam o site institucional.
E você(s) concorda(m)?
Abraços
Marisa Lemos 3/2/2010 15:30:46
O artigo me lembrou um site de uma agência que vi uma vez, e é exatamente isso: www.semsite.net. No caso deles, é mais que apropriado, além de super criativo e original.
(a propósito: não abriu com o Chrome, use Firefox)
Um abraço!