João Casotti
O mercado editorial está passando por um momento de transformação devido às influências das novidades tecnológicas no setor. Com a internet, as editoras aumentaram o alcance comercial e as opções de relacionamento com seu público-alvo, utilizando a rede para a comunicação e divulgação das publicações. Por outro lado, o movimento de digitalização das obras literárias dissemina conteúdos sem reconhecer financeiramente o trabalho do autor, o que obriga o mercado a pensar numa nova forma de vender livros.
“Há muitos anos, o nosso setor tem passado por transformações, mas somente agora algo está realmente tomando forma. É tempo de quebrar paradigmas, se reinventar e buscar novas alternativas de distribuição e comunicação com o público”, afirma Diego Jock, responsável pelo departamento de marketing da Editora Contexto. Ele acredita que a web influenciou positivamente a comercialização dos livros. “As vendas aumentaram consideravelmente. Em 2008, tivemos o maior faturamento em 21 anos de história”, explica Jock, também autor do blog sobre publicidade Casa do Galo.
Jorge Alberto, gerente de marketing da editora Mauad, concorda que o meio digital é um estímulo para os negócios. “As vendas com a internet sempre vão aumentar, principalmente pela penetração ampla que ela permite. Quanto mais a web se dissemina, mais as editoras terão capacidade de serem percebidas. Por isso, nós a utilizamos como um meio de divulgação”, explica.
Para o gerente de marketing da Jorge Zahar Editor, Luciano Castro, a digitalização das obras na internet sem reconhecimento autoral é uma tendência ruim para o setor. “O maior problema neste processo não é o impacto da tecnologia em si, mas o da crise de valores, na qual o produtor de conteúdo não tem mais o reconhecimento que justifica a remuneração de seu trabalho”, comenta o executivo, que faz uma comparação com a indústria fonográfica. “Esta reflexão é a mais urgente, pois os músicos ainda fazem shows em grandes estádios e vendem linhas de produtos, mas escritores, filósofos e estudiosos não têm o mesmo apelo”.
As editoras brasileiras ainda não têm o costume de vender obras digitalizadas, mas exemplos como o projeto 'Pasta do Professor', que tenta regularizar as cópias de capítulos de livros nas universidades brasileiras, buscam formalizar este modelo de negócio no país. A iniciativa da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (Abdr) tem o objetivo de cobrar por fragmento copiado nas faculdades. “Não vendemos publicações digitalizadas ainda, mas este movimento é inevitável. O que já fazemos é disponibilizar em pdf na internet os primeiros capítulos para a leitura inicial. Também colocamos material no GoogleBooks, que negociou diretamente conosco a inserção do conteúdo”, conta Jorge Alberto, da Mauad.
Os livros nas mídias sociais
Os sites de relacionamento são uma unanimidade entre as editoras entrevistadas. Todas utilizam este tipo de ferramenta para divulgar e se comunicar com os leitores, que se aproximam das editoras. “Temos perfil no Twitter, no Orkut e enviamos newsletter regularmente. Temos vendas diárias em nosso site e as mídias sociais são utilizadas para informar”, conta Jorge Alberto. Segundo Diego Jock, a editora Contexto também possui ações no meio digital. “Estamos presentes no Twitter, temos um blog e um canal no YouTube. Buscamos sempre a proximidade com nosso público”, complementa.
Os aparelhos de leitura digital como o Kindle, e-book criado pela Amazon, são uma outra possibilidade ainda distante do mercado literário no Brasil. “Esses aparelhos ainda são rudimentares, com muitas restrições. No caso do Kindle, a possibilidade de download pela rede de telefonia celular só funciona nos EUA. Num futuro próximo, um novo mercado deve se consolidar, e o tradicional deve diminuir bastante, impactado pelas novas tecnologias”, prevê Luciano Castro da Zahar.
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