Robert Rodrigues
Pois bem, escrever sobre comunicação e tecnologia. Não parece um desafio complicado, afinal, me comunico desde a barriga de minha mãe, onde me manifestava por meio de chutes, e tecnologia faz parte de minha vida: meu primeiro computador não tinha HD e possuía só um mega de RAM. Era capenga, mas muito divertido. Foi lá que montei minhas primeiras planilhas, cujo principal objetivo era descobrir quem era o melhor jogador de gamão dentre meus amigos. Naquela época isso não era ser geek, era ser nerd mesmo...
A principal diferença entre o momento em que fui apresentado a meu primeiro computador e hoje não é a máquina, cuja capacidade de processamento aumentou, ou o tamanho dela, que diminuiu, mas sim o potencial de gerar relacionamento. Antigamente, usávamos o computador para desenvolver planilhas e gerar textos, depois veio a internet discada, pela qual nos conectávamos para acessar alguma biblioteca famosa ou ver as obras de um museu distante. Hoje é diferente, com a invasão das redes sociais não faz sentido ligar um computador se não tiver alguém com quem me comunicar do outro lado, ou “vários alguéns”, e com todo esse potencial de comunicação vem também o conhecimento, que está muito mais acessível a todos, independentemente da classe social.
Lembro que, em minha infância/adolescência, sempre que algum conhecido viajava para o exterior pedia que trouxesse um catálogo gratuito da Radio Shack. Era uma big publicação onde tudo que a loja vendia era listado. Essa era a forma que tinha para conhecer produtos novos, assim podia ficar atualizado e ainda tirar onda com amigos, do tipo “viu o novo lançamento nos EUA? Um walkman que pesa só 2,5 quilos!”.
Esses são tempos passados, porém, nossa necessidade de conhecer coisas novas só aumentou, mas agora com uma grande diferença, o tempo de espera praticamente inexiste. Basta uma novidade sair lá fora que, imediatamente, repercute dentro de nossas redes. O delay do desenvolvimento ficou pra trás e me arrisco a dizer que nunca houve tanta oportunidade como agora. Hoje em dia, a informação está disponível para todos. Quer montar um site em ajax? A informação está na rede. Quer fazer um delicioso “rim com batatas ao molho de vinho”? Você acha a receita facinho, facinho.
As distâncias diminuíram, e não somente entre a gente e o mundo lá de fora, mas também entre a gente e os vários mundinhos que existem aqui dentro. Quantas pessoas você segue no Twitter? Você sabe de onde é esse povo? E os que te seguem, de onde são? O Twitter é um mundo sem fronteiras, onde as mais diversas culturas e influências se misturam, virando uma massa de informação e conhecimento em constante evolução. Antes do surgimento dele (e da internet como é hoje), como faríamos para ter acesso ao que um profissional dos grandes centros pensa? Graças ao Twitter, tenho acesso ao que diz o @MattCutts, o @AvinashKaushik e mais um monte de outros profissionais daqui do Brasil e do mundo todo.
Creio que a tecnologia, nesse caso, ajude até a diminuir certas concentrações excessivas de conhecimento e favorecimento, as famosas panelinhas. Se uma agência de Recife (PE), por exemplo, fizer uma ação muito bacana na web, será observada e comentada nos grandes centros, fazendo com que essa agência, seus profissionais e clientes ganhem relevância. Tem um caso bacana de uma empresa do interior dos EUA (Utah) que apareceu para o país inteiro graças a uma ação muito bem-feita, tendo como principal característica a viralização dos vídeos. Não investiram nada na veiculação, gastaram um punhado de dólares em um jaleco e um iPhone. Estou falando da Blendtec, fábrica de liquidificadores industriais que ficou famosa nos EUA inteiro (e até fora dele) graças à campanha ‘Will it blend’. Antes da facilidade de comunicação gerada pela internet, como essa empresa faria para aparecer tanto? Ou gastaria muito dinheiro nos veículos tradicionais ou simplesmente não apareceria, pois a criatividade não era uma opção se não houvesse recurso.
Saindo do mundo da publicidade, vamos pensar no ganho que classes que nunca tiveram muito acesso à informação têm agora. As lan houses estão em todos os cantos, os computadores podem ser pagos em “n” parcelas. A informação nunca esteve tão acessível. Parafraseando nosso presidente, “nunca antes na história desse país” o conhecimento foi tão democratizado. É hora de abraçar a oportunidade que a tecnologia vem dando à democratização da informação para quebrar barreiras e paradigmas, transformando o Brasil naquele país que a gente sempre quis, o país do presente e não do futuro.
Robert Rodrigues é gerente de SEO e Mídias Sociais da Agência Frog, atuando em ações de ativação e monitoramento para empresas como Oi, Grupo Ediouro, Motorola, Multiplan e Icatu Hartford.
FlaviaVianna 13/10/2009 11:32:52
Um espetáculo o texto! Lúdico, divertido, genial e inteligente. Pra variar!... Sou fã de carteirinha.
Parabéns!