Mauricio Felício
Quantas e quantas vezes, nos últimos meses, você perguntou ou ouviu a famigerada pergunta: “você tem Twitter?”. Provavelmente, tantas vezes quanto ouviu ou disse em resposta: “o quê?”.
Microblog para os novatos, TT para os íntimos. O Twitter vem mudando o modo de trocar informação entre a nova geração, correto? Grande e comum engano. A conectividade e a instantaneidade da informação mudam os parâmetros daqueles que mal sabem o que vem a ser as mídias digitais e até mesmo remodelam a postura das corporações ante seus colaboradores, clientes, quase stakeholders.
Para incrementar o perfil da grande massa, são incontáveis os que acham que a onda de tecnologia já está acelerada demais, ignorando ainda que logo teremos novidades como Google Wave. Mas nem sequer nos acostumamos com o YouTube...
Ao criar uma nova conta do Orkut, você pode escolher entre pessoas que o Google acha que podem ser suas amigas, e o mais assustador é que a grande maioria, de fato, é parte de seu círculo social.
Sair às ruas e ser filmado por um passante. Meio minuto depois, e você já pode ser hit no YouTube. Hoje em dia, se você é uma celebridade, até cantar o hino nacional se tornou arriscado. E as corporações, o que têm com isso? Somos as celebridades, somos os melhores alvos.
Ou seja, não temos nada a ver com essa nova realidade. Nada, a não ser uns detalhes um tanto quanto insignificantes. Câmeras em todos os celulares. Twitter disponível ao gosto do freguês, no blog, no blackberry ou no Iphone. O que é isso? São apenas alguns fulanos da geração Y! Outros mais da geração Net. Mas quem são eles no meio de tantos babyboomers e Xs?
Para ser mais objetivo, não estamos em tempo de reavaliar as comunicações, nossas políticas e nossos medos. Esse tempo já passou, e muitos ainda não se deram conta. Muitas empresas ainda debatem ‘A banda’ ou ‘Disparada’, sem ver que o mundo mudou e não voltará aos tempos passados.
Não digo que temos apenas bons resultados com as novas mídias e com a era digital, mas sim que, bons ou ruins, cada novo resultado dessa avalanche infindável de tecnologia continuará a evoluir a galope, ou melhor, a cliques e tweets.
Um bom exemplo de como a sociedade não está passiva a essas transformações é o fato de que associações de classes, ONGs e até o crime organizado já usam Twitter. Então, por qual motivo nossos policiais, nossos colegas de trabalho, clientes e chefes não podem fazer bom uso das mídias sociais?
Tentar olhar para esse movimento a fim de entendê-lo é olhar para as ondas e não surfar jamais. Para compreendermos o que é o universo dos bits transformados em conectividade entre gente, entre pessoas, devemos mergulhar.
E sempre, ao mergulhar, devemos avaliar a maré, conferir se não há algumas pedras no fundo e saber bem o que queremos fazer dentro desse mar. Então, aos que ainda observam o vento e água sentados na praia, é hora de molhar ao menos os pés.
@mauriciofelicio é formado em relações públicas pela USP e atua como analista de comunicação corporativa em uma multinacional do setor farmacêutico.
Mauricio Felicio 8/10/2009 13:07:16
Gustavo, concordo plenamente. É importante lembrar que o ambiente virtual não é a oposição ao real (Lévy), ao humano, mas sim uma nova forma de participar, de viver, e que se combina com todos os outros meios que tinhamos antes, com a arquitetura, coms as formas de diálogo, nossas brincadeiras... É uma reconfiguração, uma releitura em constante transformação.
Assim, a questão da parcimônia no uso destas mídias também se enquadra neste pensamento, pois não adianta digitalizar tudo e achar que estamos participando do mundo virtual. A participação na web (rede de pessoas) é uma forma de pensar, de entender e agir no mundo, mais do que o reflexo ditatório do suporte, da mídia.
Abraços a todos e obrigado pelos comentários.
Vamos manter este diálogo.
@mauriciofelicio
Gustavo Gomes de Matos 7/10/2009 11:03:50
Não podemos perder de vista a big wave tecnológica e surfar a superfície com conhecimento da profundidade. Mias do que instrumental, a comunicação é humana e deve incluir o relacionamento interpessoal como prioridade. Devemos conhecer a fundo e dominar as novas tecnologias disponíveis, porém, sem perder de vista o propósito e o sentido de nossas existências: RELACIONAMENTO HUMANO É FUNDAMENTAL !
Parabéns pelo excelente artigo, que faz a gente refletir e pensar sobre um tema tão real e transformador como esse.
Michelli Sasaki 6/10/2009 12:15:01
Concordo que todas essas ferramentas devem ser usadas com parcimônia. Experiências desastrosas podem acontecer, vide o caso @xuxameneghel. =)